Um empregador que pede aos colaboradores para fazerem um autoteste antigénico em casa precisa de uma forma de determinar se o teste foi realizado. Este guia compara os cinco métodos que as organizações utilizaram, para apoiar a escolha de um método adequado ao risco, ao orçamento e ao enquadramento legal da organização.
Análise dos requisitos legais e organizacionais aplicáveis
As regras variam de país para país. Em Portugal, em 2021, os testes rápidos só eram reconhecidos quando realizados em locais registados ou por profissionais de saúde; um autoteste feito em casa não servia de comprovativo. Na Dinamarca, uma lei de 2020 permitiu aos empregadores testar os colaboradores e receber os resultados. Nos Países Baixos, os empregadores podem oferecer autotestes mas não exigi-los, e o resultado só é partilhado voluntariamente. Na Noruega, os empregadores não podiam sequer exigir ver um teste. Em França, a testagem imposta pelo empregador é restrita e a supervisão estava reservada a profissionais de saúde. Na Alemanha, o resultado contava para as regras de acesso, e só os autotestes supervisionados eram válidos. No Luxemburgo, o ministério da Saúde publica orientações em português sobre autotestes no local de trabalho. Seja qual for o programa que construir, terá de ser voluntário onde a lei o determina, e o colaborador tem de controlar quem vê o resultado.
Método 1: autodeclaração do teste
Os colaboradores declaram um teste negativo num formulário. Este método não tem custos, mas não oferece qualquer verificação independente, e todos os países que o utilizaram em grande escala documentaram falsas declarações. É adequado apenas quando a consequência de uma resposta incorreta é pouco significativa.
Método 2: documentação fotográfica
Os colaboradores carregam uma fotografia. O serviço de saúde irlandês aceitava-a para as baixas do pessoal. Mostra que existe uma tira; não consegue mostrar quem fez o teste, quando, nem se a tira era dessa pessoa. Rever fotografias também gera trabalho.
Método 3: supervisão por vídeo em direto
Uma pessoa com formação observa cada teste por vídeo. Foi o que os serviços de testagem para viagens venderam em 2021-22 e o que as regras alemãs entendiam por autoteste supervisionado. Funciona, e custa o tempo de uma pessoa por cada teste, pelo que não pode funcionar diariamente para toda uma força de trabalho.
Método 4: testagem no local
Os colaboradores são testados por um enfermeiro ou por um colega com formação, no local de trabalho. Este método é totalmente verificável, mas é o mais caro, e exige a presença no local, o que não é compatível com o rastreio antes da chegada. Alguns protocolos clínicos continuam a exigi-lo.
Método 5: verificação à distância de testes feitos em casa
Os colaboradores fazem o teste em casa, à frente da câmara; o software verifica o procedimento, associa o rastreio ao participante convidado e emite um comprovativo, sem supervisor. É esta a abordagem utilizada pela screenme.science. O custo é por teste, escala para utilização diária em vários locais, e o colaborador mantém o controlo sobre quem vê o resultado.
Seleção de um método adequado
Quando uma organização precisa de saber que a pessoa convidada fez o teste corretamente, a uma hora conhecida, e a supervisão de cada teste não é comportável, só os métodos 4 e 5 cumprem o requisito, e só o método 5 funciona antes da chegada. Se a lei do país limitar o que pode ser exigido, o método 5 é também o que mantém o colaborador no controlo da partilha.
Considerações recomendadas para o desenho do programa
A testagem deve ser oferecida, e não imposta onde a imposição não é permitida. Os colaboradores podem escolher o teste em qualquer farmácia, ou o empregador pode fornecê-lo. O rastreio deve ser feito antes do turno e não à entrada. Os comprovativos devem ser conservados durante o período de auditoria e não mais do que isso. A medicina do trabalho deve ser envolvida desde o início.


